gostaria que nossos relógios caminharem lentos

Começando a ler o livro que baseou a minissérie amigos fiquei verdadeiramente muito triste, receosa do esquecimento dos tempos, do envelhecimento dos anos, de amigos deixados para trás, amores perdidos por inconseqüência, e infantilidade que nos levam a solidão, voltei à eterna obsessão do passar das horas, desta incansável e mordaz, como assim diria Alceu.

Peguei-me na saudade de uma velha amiga, da tenra idade, da fase mais conflitosa, onde tudo era descoberta, aprendizado e descomprometi mento. Após 10 anos de sua partida, não sei se o fato de não tê-la visto no seu sepulcro, ou seu rosto sem vida, mas sinto como se ela ainda estivesse para chegar da sua mortal viagem. E me pego pensando inconscientemente de como estaria agora se mais gorda, se mais magra; com filhos, casada ou solteirona; seria ainda minha companheira de farras?; a única certeza é que certamente seríamos amigas, essa dúvida não me norteia. Sinto medo de esquecer dos nossos momentos, das brincadeiras, das gargalhadas e das brigas, onde ininterruptamente terminavam em lindas cartas de desculpas e choros copiosos de afeição inacabável. Boa época, grande amiga, fabulosa irmã por escolha, incomensurável falta em minha vida, desde a sombria e trágica manhã até as atuais relembro incansavelmente de suas palavras, personalidade e rezo para nunca esvair e perder-se com os anos.

Foi uma forma de não aquiescência, sei bem disso. De vencer a resolução do destino, logo não me deparando com a realidade de sua ausência definitiva, então porque não criar a ilusão de uma viagem sem volta, ou de seu retorno nos sonhos, ou do nosso reencontro no céu.

Prefiro acreditar ser a melhor opção, não esperar o determinante e procurar crer na eternidade da alma e sendo assim saber que ela ainda existe e se perpetua nas horas e no tempo.

Aos meus amigos de hoje, de anos atrás, de infância, colégio, faculdades (todas), do inglês (todos), farras, aos que passaram por minha vida de forma boa, ou até de maneira ruim, mas que contribuíram para o que sou hoje, obrigada, e mesmo com os percalços do tempo e a inabalável hora que não para, a nostalgia é permanente, crescente e sufocante.

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3 comentários

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3 responses to “gostaria que nossos relógios caminharem lentos

  1. netinho

    afinal, o que faria a vida valer a pena?

  2. Marciliane

    Eita galega, tb sinto saudades dela, não passei tanto tempo ao seu lado mas os poucos foram bem valiosos, acredita q não esqueço q foi ela quem fez minhas sobrancelhas pela 1ª vez, farras, 1°s porres, eita foi ótima a lembrança com certeza ela merece viu, um bjão vc é muito especial!!

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